terça-feira, 22 de setembro de 2009

Irma... doce??

Cute Movie!! Achei interessante esse filminho parisiense, uma versão americana e estereotipada de Paris, mas mesmo assim, com toque francês sutil. Gostei da atriz, muito bonitinha e com boa interpretação, mas a vozinha é meio chatinha. O ator me lembra um professor meu da faculdade, mas enfim, mostrou graciosamente como ser bonzinho não é lá grande coisa quando as coisas ao seu redor não funcionam como você acha que deveriam funcionar, conseguiu passar muito bem a idéia do inocente que é levado para o “lado negro da força” forçozamente, mas que consegue, de certa forma, se adaptar bem ao ambiente adverso e começa até a entendê-lo, mas obviamente ele não agüenta dividir a mulher com mais ninguém, como, aliás, acontece em todos os filmes de prostitutas, ele sente ciúmes e quer que ela pare de trabalhar nesse ramo... me lembrou Moulin Rouge até, talvez eles tivessem se inspirado um pouco nesse filme... mas então, cria toda aquela novela do cara que paga pra ela não fazer sexo e acaba novamente quebrando a cara porque ela tenta trocá-lo pelo rico, tenta sim, mesmo o motivo dessa troca sendo nobre, ela tenta trocá-lo pelo rico, como em todas as histórias reais.
O cachorro é muito, muito fofo, eu particularmente não aprecio os puddles, mas esse era fofo e, como disse antes, bem francesinho no seu estereotipo.
Aquelas meias verdes dela não me agradaram, as vezes, me lembravam O Grinch...
O filme é bom, mas é longo e a história é meio batida, toda igual a qualquer outra historinha do gênero, não há efetivamente nada de novo, pode até ser que naquela época isso fosse novo, o que obviamente valoriza o filme.

NOTA DO LISTAL: 7,0

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Irma La Douce


Em 1963, quando ainda existia Código de Produção e auto-censura dos estúdios, era uma ousadia fazer um filme sobre uma prostituta e seu cafetão - mesmo quando realizado pelo mestre Wilder, habituado a quebrar tabus e com a mesma dupla de atores do sucesso "Se meu Apartamento Falasse". Originalmente era uma peça de Alexandre Beffort com música de Marguerite Monoud, montada nos EUA em 60, mas Wilder e seu habitual parceiro I. A. Diamond tiveram a ousadia de cortar todas as canções, deixando as melodias apenas como fundo musical arranjados por André Previn, que, por sinal, ganhou o Oscar de arranjos musicais. O filme também foi indicado por melhor atriz (Shirley) e fotografia.

O projeto inicial era para ser como Marilyn Monroe (que morreu antes) ou Elizabeth Taylor (que estava no auge do romance com Burton e, portanto, criando problemas) e com o grande Charles Laughton como Moustache (ele estava muito doente e o papel foi reduzido). Toda a ação se passa no bairro parisiense de Lês Halles, que era o grande mercado local e que logo iria ser totalmente demolido (hoje em dia é um enorme parque e centro cultural, Georges Pompidou). Fora algumas externas, tudo foi reconstruído em estúdio.

Não é das obras-primas do diretor. Um pouco arrastado e longo, com momentos mortos, elenco de apoio duvidoso, o humor ficando num meio-termo (a
Publicar postagem
ousadia não pode ir muito longe e acaba tornando tudo meio conto de fadas, com o eterno clichê da prostituta do coração de ouro). O charme do filme recai muito em cima da dupla central, que já teve melhores momentos. Mas ainda está acima da média. Estréia no cinema de James Caan.

Por Rubens Ewald Filho

Veja o Trailer a seguir:

Sinédoque, Nova Iorque

Bem, que Charlie Kaufman é meu roteirista predileto, já é fato desde Adaptação. Porém acho que o salto para a direção foi um tanto brusco. Se em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança e em Adaptação ele não tinha a autonomia para fazer de sua obra algo completamente pessoal, eram filmes que permitiam que o público viajasse em suas rotas introspectivas, nesse o elo entre filme e público ficou meio perdido. Não me refiro a Quero Ser John Malkovich porque, desse filme, não tenho nada a declarar. Senti que era um filme bastante interessante, mas não captei.
Voltando, Kaufman com a faca e o queijo na mão significa, ou significou nesse caso (espero que haja uma evolução com o tempo), que muito poucos poderiam tirar uma mordida. Sinceramente, não me incluo nesse grupo, mas não acho que seja um problema esse tipo de arte mais pessoal. Porém, temo porque ele não lida com filmes de baixo orçamento, mas com a grande indústria do cinema. Se não tiver público para reverter o custo de suas obras em retorno financeiro, temo que ele seja riscado da lista de investimentos.
Então, parando de falar sobre como não quero que Charlie Kaufman pare de fazer filmes, vou iniciar com as coisas óbvias. O filme é iniciado em um ambiente familiar artístico. No entanto, Caden e sua mulher não compartilham de nada além de uma casa e uma filha. Ele, enquanto artista introspectivo, niilista, neurótico e hipocondríaco, aos poucos tem sua imagem refletida pela filha pequena, que tem preocupações com a saúde que não são naturais de sua idade. Até aí, está tudo claro. Até porque Kaufman entrega o jogo quando ela se senta para o desjejum e se recusa a comer cereais, optando por um sanduíche igual ao do pai (que olha para ela, reconhece a semelhança e sorri).
A mãe, por outro lado, é uma artista de miniaturas (é necessário o uso de lentes de aumento para enxergar seus quadros) e possui uma filosofia de vida muito mais expressiva e extravagante. Possui uma grande amiga que fala para Caden, em certo momento, que não interessa se gostem de sua obra, mas a sua (de Caden) satisfação artística. Nesse ponto é colocada a contradição, onde ele, em sua introspecção, tenta se expressar para o mundo e espera a apreciação. Elas, por sua vez, estão fazendo a arte na busca da satisfação pessoal. A peça de Caden, para as duas, é sofrível. Ele, porém, não deixa claro o que acha das obras da mulher, que o deixa, levando a filha consigo.
Depois disso, vem uma enorme e massante história sobre a produção da peça que ele inicia com a verba de um fundo de incentivo a grandes artistas. Acho que à partir daí, a obra toma outro nível de compreensão. Deixa de ser uma realidade para ser uma visão artística de Caden sobre o mundo. Ele se relacionou, então, sem nunca conseguir ter relações sexuais, com uma assistente que compra uma casa "pegando fogo que nunca é consumida" (grande metáfora para...bem, não sei pra que. Se alguém souber, me diga, por favor! Como comecei a enxergar como se fosse a leitura dele do mundo, até me passou pela cabeça se ele, presunçosamente - ele não era um artista humilde - não achava que ela o desejava tão intensamente. Isso porque, só quando eles finalmente fizeram sexo, ela morreu asfixiada em sua casa, já idosa. Mas não acho realmente que seja isso...e nem sei se não deveria apagar esse comentário. Já estou vendo quem ler isso rindo da interpretação ridícula rsrsrsrs). Depois se casou com a atriz principal de sua peça. Com o passar dos anos, o galpão escolhido para sediar a peça não parecia em nada com um teatro, mas com uma replica perfeita da cidade de nova iorque. Seus personagens, trabalhados de forma desgastante por mais de 17 anos, tentam se aproximar do que ele considera a essência dos personagens e têm um objetivo platônico de alcançar a perfeição. Nessa brincadeira, onde a arte imita a vida, a vida também passa a imitar a arte, quando surge um personagem que interpreta e substitui Caden quando necessário, após passar 20 anos o observando. Então, começa uma briga de alter-egos durante o filme, onde a peça deixa de estar sobre o controle do diretor, e passa a se auto dirigir. Porém, a autodireção da peça tende à fazer dela parte do cotidiano...o que é óbvio, nunca será uma peça real, para apresentação do público, por nunca estar completa.

Nota no Listal: 7.0

SYNECDOCHE, NEW YORK

Primeiros 30 min de filme: insuportáveis, não tenho nem o que comentar... Próximos 30 minutos: nada a comentar... E aquela casa pegando fogo??? Fale sério... pelo amor de deus, qual era a doença do cara?? Brotuejas?? Ao Deus!! Não gosto de filmes psicodélicos.

NOTA DO LISTAL: 5,0

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sinédoque, Nova Iorque - o filme da semana passada

Comentários de Rubens Ewald Filho


Esperava-se muito da estréia na direção de Charlie Kaufman que ficou famoso como roteirista, tendo ganhado o Oscar por Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (02), tendo indicações também por Adaptação (02) e Sendo John Malkovich (1999). Mas depois de fracassar concorrendo ao Festival de Cannes de 2008, este estranho filme provocou reações desencontradas nos EUA, na base do ame-o ou odeio-o. O fato é que Kaufman exagerou na dose, fazendo um filme fechado, difícil de se suportar e analisar, a partir de um título para o qual não há explicações no seu desenrolar (ele sugeriu que as pessoas procurassem no dicionário, onde se diz que sinédoque é uma figura literária quando se pega a parte pelo todo, por exemplo dizer 50 velas em vez de 50 navios, o todo por uma parte (como falar em sociedade por alta sociedade), a espécie pelo genérico (cortador de gargantas por assassino), gênero pela espécie (criatura em vez de homem), ou nome do material de que é feita a coisa (a madeira de que é feita o palco em vez de palco). Mas o título do filme também é uma brincadeira com o lugar onde se passa a história, Schenectady, Nova York, um lugar que tem o Zip Code (de 12345).

Já de princípio tenho implicância com autor que não dá as chaves na obra para ela ser bem compreendida. Mas as pessoas, intelectuais digamos assim, gostam desse tipo de quebra cabeça e podemos pelo menos afirmar que Kaufman é mais consistente e sério que qualquer Lynch. Mesmo que por vezes incompreensível pode ser achar que Kaufman é pretensioso, mas sua inquietação ao menos parece sincera.

A história é centrada num diretor teatral chamado Caden Cotard (Hoffman), que tem paralelos com Proust, e teria uma doença chamada Síndrome de Cotard, que provarão ilusões negativas e nihilistas. Ele é casado com uma artistas plásticas (Keener) e pai de uma garotinha. Consegue uma grande verba para montar um super espetáculo de teatro de vanguarda e o tempo vai passando sem que os personagens percebam (porque os espectadores estão muito conscientes do sofrimento). Tem uma piada ótima quando um dos atores diz: mas faz 17 anos que ensaiamos e ninguém viu ainda!

A esta altura já ficou claro que se trata de um filme experimental, que brinca com a estrutura e o tempo cinematográfico. Ou seja, a expectativa já vira outra. Não espere muita coerência, aceite vôos de imaginação pela fantasia e a abordagem de forma inaudita dos grandes medos do ser humano: solidão, morte, doença, futilidade. Não é uma diversão recomendada a ninguém que queria um entretenimento leve e passageiro. Nem pensar. Assistir a segunda parte do filme é um exercício penoso.

Não cabe aqui uma análise mais aprofundada. Mas espero que tenham aqueles que a façam. Quem sabe quando eu vou rever o filme num bom cinema. Ele merece esse respeito ao menos.

(Fonte: http://www.rubensewaldfilho.com.br/home/cinema_detalhe2.asp?paNFilme=1644)

Uma curta história de amor...

Eu até gostei da Trilogia das Cores, mas realmente achei esse filme monótono... Não sei se porque sou adepta da idéia clichê do amor ideal, ou a velha comédia romântica americana, mas realmente não gostei do amor platônico estereotipado na idéia da mulher mais velha, experientíssima, mas frustrada com o amor X o menino imaturo, romântico, inexperiente que tenta mostrá-la o verdadeiro amor... pra falar a verdade acho que essa história de mulher mais velha e menino novo foi suficientemente explorada em “A primeira Noite de um Homem” e não acredito que caiba mais essa idéia em filmes... na verdade é até engraçado em “American Pie”. Enfim, não gostei muito, fiquei com sono, minha legenda não estava muito sincronizada e eu realmente não entendo nada em polonês,mas acho que não perdi muita coisa com minha falta de sincronia, afinal o filme é lento o suficiente pra não atrasar muito o entendimento da cena.

O que ei gostei foi da fotografia, principalmente a cena em que ela encosta no vidro com bolinhas vermelhas cor de sangue e descobre porque ele cortou os punhos (como se alguém morresse cortando os punhos... tão clichê...), a cor da cama dela sempre vermelha, e o contraste da mesmice da cidade marrom-acinzentada. Gostei dos atores também, nunca os vi na vida, mas gostei da encenação. Bem, só gostei disso.

NOTA DO LISTAL: 7,0 (por respeito ao diretor)

sábado, 5 de setembro de 2009

Um filme curto sobre amor

Bem, eu curto Kieslowski, pelo visto. Não é qualquer pessoa que consegue fazer um filme com uma estória meio incompleta ficar legal. Em suma, é um filme que conta com um personagem masculino (que vale ressaltar, é um jovem de 19 anos virgem, sem vida social e que mora com uma senhora de idade) perturbado por uma obsessão romântica, que cria uma rotina de vida ao redor da mulher amada de forma a interagir o máximo possível com ela sem se revelar. Enquanto não tem coragem de se expor, o que pode ser devido à diferença de idade ou falta de experiência, esforça-se em atrapalhar os diversos romances que a mulher tem durante o 1 ano em que a observa. Obviamente é um personagem ingênuo, que , apesar dos diversos crimes que ele cometeu (rsrs), não deseja de forma alguma prejudicar conscientemente a pessoa amada, colocando-se em risco de prisão ao revelar-se ao ver ela ser injustiçada por algo que ele fez.
Ela, por sua vez, é uma mulher atraente, que não acredita em amor. A sua última experiência romântica (que não condiz com a sexual) foi um homem que a largou para ir à Austrália. Ele tentou manter contato através de cartas, mas como Tomek (o jovem) trabalhava nos correios, tinha acesso às cartas e as interceptava. Ela é, aparentemente, uma artista plástica que não faz muito sucesso e que tenta confrontar Tomek. Por fim, ela causa a ele um constrangimento tamanho que o leva à tentativa de suicídio. Numa mistura de remorso e, o que creio mais, compreensão do que é uma obsessão romântica, ou satisfação de ser objeto de observação de alguém, ela começa o visitá-lo esperando que ele se recupere.

É por isso que não curto Gabriel Garcia Marquez. Não é por o personagem ser doentil e obsessivo que ele tem que ser detestável.

NOTA NO LISTAL : 9.0