sábado, 29 de agosto de 2009

The Cotton Club

Eu gostei bastante do filme, mas tenho que admitir que acho um filme difícil de discutir. Isso por ser um filme de fatos, não dá muita margem a interpretações. Seus personagens principais, Dixie Dwyer e Vera Cicero, interpretados respectivamente por Richard Gere e Diane Lane (irreconhecível). Dixie é um músico que chama a atenção de um mestre da máfia local, Dutch, e salva a sua vida em um atentado. Dutch, num mix de gratidão e interesse, o contrata como músico e faz tudo, diga-se de passagem, e o seu irmão, interpretado por Nicolas Cage, como gangster. Essa questão dos laços familiares não é muito explorada no filme. Se não fosse um dado o fato de ser irmão, ele poderia ser confundido facilmente com um conhecido de infância. Mas, de qualquer forma, Dixie se apaixona pela amante de Dutch, Vera, quem ele conheceu anteriormente no dia do atentado, sendo a pessoa que a levou para casa e a pôs na cama (e nada mais, apesar da oferta dela).
Dai o filme meio que tem um período nebuloso onde acontece um monte de coisas paralelas, como o desenvolvimento de um romance entre um dançarino de sapateado negro, amigo de Dixie e uma cantora/dançarina mestiça, mas nada muito interessante. Também é contada a morte do irmão de Dixie, que era odiado após, ao assassinar por vingança um gangster, atingir duas crianças do bairro. Isso foi usado para criar uma rejeição popular por ele e desmereceu também sua causa, que envolvia um acerto financeiro que tinha ficado pendente por parte de Dutch, o que levou ao rompimento entre os dois. Após o rapto de um dos chefes da máfia, Dixie e o irmão se encontram para fazer a troca do mafioso pela quantia em dólares pedida. Um encontro sem profundidade nenhuma, mais uma vez. Depois, o personagem de Nicolas Cage é assassinado numa cabine telefônica. Em geral, o fim do filme pode ser resumido com o assassinato de Dutch e a união do casal Dixie e Vera.
Gostei do filme, mas achei que a parte mais interessante dele foi o início, deixando o resto do filme mais próximo de uma colagens de cenas de romance e ação desinteressantes, e não o que deveria ser considerado o clímax.
Em geral, o filme aborda assuntos como: o racismo, enfocando a realidade da época onde artistas negros era admitidos no clube noturno, mas seus frequentadores eram exclusivamente brancos; a violência, representada pelo deslocamento do poder do estado para a máfia local; e o Crash da bolsa de 1929.

NOTA NO LISTAL: 8.0


CURIOSIDADES:

(Fonte: http://www.confrariadecinema.com.br/links/filme/the_cotton_club/cotton_club/cotton_club.jsp)

Depois de deixar a Paramount, onde realizou “O Bebê de Rosemary”, “Chinatown”, ambos de Roman Polanski, e “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola, o produtor Robert Evans teve dificuldades para prosseguir com sua carreira de sucessos. Ele fez uma série de filmes independentes sem sucesso e iniciou uma busca ferrenha, que viria a durar cerca de quatro anos, por aquele que considerasse o roteiro perfeito, que poderia lhe devolver o prestígio e o dinheiro perdido. Foi quando em 1979, ele encontra o livro “Cotton Club”, de Jim Haskins, e decide passá-lo para a telona. Para isso, Bob conta com a ajuda do milionário americano Adnar Khashoggi, que investe milhões de dólares para que o produtor pudesse comprar os direitos do livro e contratar Mario Puzo, autor do romance “O Poderoso Chefão”, para adaptar a história.
Com problemas em relação à escolha do elenco, que até então só contava com Richard Gere, Evans pede ajuda a Coppola, e este pede um tempo para ler o roteiro. Oito dias depois o premiado diretor diz que o roteiro não é utilizável e se propõe a escrever outro. Para ajudá-lo nesta empreitada, Francis chama William Kennedy, que apesar de nunca ter escrito um roteiro antes, havia escrito recentemente um romance, “Legs”, sobre gangsteres. Após se responsabilizar pelo roteiro, Francis Ford Coppola compra os direitos de Evans sobre o filme e, assim sendo, assumi também a direção e a produção deste.
Após toda esta confusão envolvendo o roteiro do longa, ainda resta o problema do elenco. Al Pacino recusa-se a trabalhar no filme, por achá-lo muito parecido com “O Poderoso Chefão” e Silvester Stallone e Richard Pryor pedem quatro milhões de dólares para fazê-lo. Para resolver estes problemas, Coppola recorre a parentes e amigos, e coloca no elenco Diane Lane, que havia trabalhado em seus dois últimos filmes, “Vidas Sem Rumo” e “Rumble Fish” e Laurence Fishburne, que trabalhou com ele em “Apocalypse Now”, além dos parentes, o sobrinho Nicolas Cage e a filha Sofia Coppola.
Na Nova York pré-crise de 29, Dixie Dwyer (Richard Gere), um músico, salva a vida do gângster Dutch Schultz (James Remar). Para demonstrar gratidão Dutch coloca Dixie trabalhando para ele. Desta maneira Dwyer conhece Vera Cicero (Diane Lane, bela como nunca), a jovem amante de Dutch, e os dois logo dão início a um jogo de amor e ódio, que terão de guardar em segredo. Paralelamente há uma outra história de amor acontecendo no Cotton Club, onde o sapateador Sandman Williams (Gregory Hines) se apaixona por Ula Rose Oliver (Lonete McKee), uma mestiça que se faz passar por branca. A trama é passada em uma época em que os gângsteres irlandeses e judeus lutam contra os italianos, sendo que diversas brigas deles foram públicas e tiveram o Cotton Club como cenário.
“Cotton Club”, como a maioria dos filmes de Coppola, é muito bom, teve duas indicações ao Oscar (Melhor Edição e Melhor Direção de Arte) e mais duas ao Globo de Ouro (Melhor Filme - Drama e Melhor Diretor). Uma curiosidade do longa é que o personagem de Laurence Fishburne, Bumpy Rhodes, foi baseado no gângster Bumpy Johnson, que realmente viveu durante o período mostrado no filme, e o próprio Fishburne retornou ao personagem 13 anos mais tarde, em “Homens Perigosos”. Outro fato interessante é saber que foi o próprio Richard Gere quem interpretou os solos de corneta e piano de seu personagem, vistos no filme.

OBS.: Vale ler também o artigo sobre Cotton Club do wikipedia (em inglês), que fala sobre o clube noturno real e as celebridades em geral da época.


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